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    ELOY NUNES
     


    EU MINTO - REESTRÉIA 13 DE SETEMBRO NO CAFÉ PAÕN, EM MOEMA



    Escrito por Eloy de Mello Nunes às 05h09
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    Comentários do público na 1ª temporada de "Eu Minto"

    Nunca vi nada igual. Irreverente, engraçado, como só o Eloy consegue ser. Emocionante, como a vida é”, Nando Beats, engenheiro eletrônico.

    Adorei o show! Bom demais, energia incrível. Tem força, luz, enfim, o show não pode parar”, Ulysses Ferraz, ator.

    Insuperável, delirante, agora entendo porque você tanto fala da força d'alma, a gente, além de perceber, também sente”, Jair Gomes, agente de turismo.

    Tive noite inesquecível, assisti transido, de modo apaixonante o espetáculo Eu Minto do ator e astro Eloy Nunes, que me fez transportar aos melhores momentos dos cafés berlinenses e as noites de Amacord, filme do Fellini. Recomendo”, Flávio Viegas Amoreira, escritor e agitador cultural.

    "Hoje vi uma estrela, mas não daquelas de se cegar. Daquelas que fazem a gente ver aonde o brilho pode chegar”, Kadu Fabretti, apresentador de TV.

    O show é lindo, cada apresentação, algo diferente, uma energia que contagia. Eloy no palco passa alegria, sensibilidade, coragem e segurança”, Rodrigo Garcia, administrador.

    Eloy está um arraso. Emocionou-me de verdade, incrível. Tudo impecável”, Renata Diniz, apresentadora de TV.

    É o espetáculo que mais me emocionou até hoje!”, Renata Demarchi, empresária.

    Nem na Broadway vi algo semelhante”, Ruy Barreto, empresário.

    Um sonhador. Parabéns, Eloy, por dar asas a mais uma expressão arquetípica. A estrada é você”, Marcia Gonçalves, psicóloga.

    É um espetáculo ver o Eloy em cena, já fui duas vezes, é muito bom. Ainda trabalho com esse menino lindo”, André Rangel, ator e comediante.

    É uma apresentação ora burlesca, ora romântica, ora trágica, uma viagem de emoções, um presente para alma. O grande diferencial é ser um homem encenando”, Caio Almeida Prado, consultor de ações.

    Eloy canta que é de arrasar quarteirões”, Paola Elide Chiarello, personal stylist.

    Eloy, you prove it: brain and beauty do mix”, Daniela Falco Bosselmann, dentista.

    Deslumbrante. Um artista completo. Aplausos de pé! Emocionou-me de verdade. Impecável. Dá vontade de ir de novo, e de novo. Parabéns a toda equipe”, Cristiane Vaz, jornalista.

    Parabéns pelo show, excelente performance, excelente voz, excelente presença de Palco”, Evelyn Elman, cantora e atriz.

    Figurino criativo e lindo, banda ótima, gostei muito de toda movimentação cênica, a contra regragem é poderosa, o cenário é prático, simples e bom. Eloy, além de cantar bem, é lindo no palco, bom, não só no palco, né?”, Ana Arcuri, atriz.

    Meu cantor predileto, Eloy é maravilhoso!”, Angel Reis, comerciante.



    Escrito por Eloy de Mello Nunes às 05h06
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    A Lei, por Eloy Nunes

     

    O dia cinzento invade meu olhar,

    as cinzas recolho, ao céu retornar.



    Boa tarde, Maria.

    Ave, Maria, que dia!



    Às 18, Contigo estarei.

    Após, o luar vira rei.



    O dia desaparece,

    o negro entorpece.



    E, no colo da Mãe, repouso.

    Já o cinza, translúcido, brilha.



    Agora, virou jóia, brilhante.

    No peito de Maria, diamante.



    Sob a portinha da peça, surge alguém.

    É um escapulário, e ali, Deus, sou eu.



    Surpreso, embargo me toma.

    Maria sorri, o embalo retoma.



    Curioso, mexo, reviro o escapulário.

    Do outro lado, Jesus. Encafifado, adormeço.



    O homem se foi, a criança desperta.

    Brincamos, eu e Jesus, e a Mãe, sempre alerta.



    Boa noite, Senhora. Boa noite, Santo Rei.

    Estamos a brincar, e, assim, aprendi Sua Lei


    Escrito por Eloy de Mello Nunes às 04h59
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    Onde anda Tereza, por Eloy Nunes

     

    O adeus do seu olhar

    Foi muito mais cruel

    Que a ilusão de que iria voltar.

    A chave deixada sobre a mesa

    Ao lado da sopa que esfriou, estragou

    E joguei fora.

     

    Acabou no lixo como as fotos de Ubatuba,

    As páginas da agenda que você usou,

    Aquela receita do bolo de cenoura

    E o Dormonid que tomamos juntos.

     

    Nunca mais iria discutir, divergir,

    Implorar e chorar na sua frente.

    Dormi com a incerteza e nunca mais com a Tereza.

    Será que foi pra Índia meditar?

    Se escondeu na mãe pra azucrinar?

    Desligou o celular, não responde SMS

    E até no Face me bloqueou?

    Por onde anda Tereza?

     

    Fiz uma sopa maravilhosa,

    Acertei no ponto do bolo,

    Abri o vinho tinto, tudo sozinho.

    Troquei a Tereza pela certeza

    De que se não voltar

    Vou bem, muito bem, meu bem.

     



    Escrito por Eloy de Mello Nunes às 00h19
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    Sonho de Pangaré, por Eloy Nunes

    Sou cavalo atrevido, de crina sedosa e rabo vistoso. Relincho alto pelo caminho. Debocho dos mancos, dou patada em quem não segue meu galope. E sigo adiante, pois o destino é ali, eu o enxergo, apesar do cabresto. Chibatadas marcaram meu lombo, mas nunca me arriaram. Sempre retomei as rédeas do meu próprio rumo. Ontem pressenti que o futuro chegaria, hoje, neste minuto, faltando exatamente alguns segundos, e pronto: Eis o novo tempo. E voltar, nem amarrado. Partam, sozinhos, cavaleiros do Apocalipse. Se ao menos conseguisse me desamarrar, fugiria. Se tivesse aprendido a voar como Pegásus, a mentir como o Burro Falante, a surpreender como o Cavalo de Tróia, a ser coitadinho, igual cavalinho de carrossel, ou mesmo fraco, como aqueles cavalos de cabo de vassoura. Tenho de dar cabo dessa situação ou perco eu a cabeça, e não sou mula. A égua que me pariu sofreu este rebento que lhe trouxe sangue, lágrima e alegria. Vim para o aplauso de campeonatos e me oferecem trabalho de pangaré. Solto a posse que me tomam e, com os dentes, desato o nó dessa escravidão. Minha virilidade segue falo ereto e vaginas adiante, muitos potros de luz e escuridão até meu destino se cumprir. Deliciosa é a certeza que chegarei, sem mesmo ir, e ainda me dar ao luxo de cansar, apesar de nem ter mexido a pata. Reenfio o focinho no laço, volto a pôr o burro na sombra. Tudo ok, oferecem comida em dia, e me cuidam bem.



    Escrito por Eloy de Mello Nunes às 04h20
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    Amor Retribuído, por Eloy Nunes

    Eu sou teu

    Você é meu

    Ser meu teu você eu

    Eu você ser teu meu

    Meu é você

    Seu sou eu

    Você eu é meu

    Você eu é teu

    Somos teu e meu

    Somos nossos

    Eu amo você eu em mim

    Você ama você eu em ti

    Eu amo você eu em ti

    Você ama você eu em mim

    O amor de você eu é igual em ti, em mim

    Nosso você eu é igual

    Meu, teu, nosso amor igual no meu, teu, nossos corações

    Amo-te em mim, em você, em nós

    Você me ama em mim, em ti, em nós

    Somos assim, iguais, amando

    Somos eu você, você eu em mim, em ti, em nós

    Somos nossos

    Nossos somos eu você, você eu

    Eu mais eu igual você

    Você mais você igual eu

    Nós igual eu mais você

    Você eu, eu você

    Você, eu, nós

    Somos nossos, todos nossos

    Nossos todos “eus”

    Amor nosso, teu e meu

    Amor mais amor igual amor retribuído.

     



    Escrito por Eloy de Mello Nunes às 00h39
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    Deus é Assim, por Eloy Nunes


    Deus, assim
    Deus, por mim
    Deus, ao meu lado
    Sendo assim, é por mim e eu, felizardo
    Feliz, por tudo, enfim, mais um consagrado
    Consagro, sim, essa fé em mim e ele, ao meu lado
    Deus por mim, até o fim, sou predestinado
    Filho, sim, por Ele, sempre amado



    Escrito por Eloy de Mello Nunes às 00h15
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    Bis, por Eloy Nunes

    Meu Pai, entrego-Lhe meu pai, que nos últimos momentos de vida perdeu a voz, a consciência. Partiu, em silêncio, mas, em vida, cantou bonito, falou tanto. Chega dava orgulho, às vezes.

    Outras vezes, não. Era melhor ter ficado calado, mas, não tinha jeito, ele falava, até se excedia, e a gente gostava de ouvir, discutir, trocar idéias, sonhos, medos. Tantas vezes deitei naquela cama ou na rede ao lado, somente para ouvir meu pai, que tinha tanto a dizer.

    Ele me ajudou a entender o mundo, quando o mundo para mim era assustador, assombroso. Ele foi aqui, embaixo, uma explosão de vida, uma exuberância. E espero, Pai, que meu pai tenha aí perto do Senhor o cuidado que eu tive com ele aqui embaixo. 

    Fui o filho caçula e mais próximo, por que ele era uma figura que me orgulhava, fazia rir, chorar, outras vezes desesperava, mas, sempre, foi um cara que causava, polemizava, aprontava, comentava, um universo de vida que se recolhe no Seu colo, Pai.

    Agora, por mais que eu volte de São Paulo e vá visitá-lo, em Belém, ele não estará mais naquela cama, não ouvirá minhas novas conquistas, não saberei o que ele viu na tevê naquela madrugada ou leu na Bíblia e no jornal. Não iremos rir nem brigar, nunca mais. Ele se silencia, de vez, mas sei, que, aí, no alto, ele não vai ficar calado, pode se preparar. O Seu Júlio vai causar, aonde estiver, até por que é da índole dele, é seu jeitão, seu modo de dizer que está no mundo, que está vivo. Sim, ele continua vivo.

    Vivo na minha memória, na de todos nós, seus cinco filhos, esposa, família. Boas lembranças, más lembranças, mas Seu Júlio foi e será sempre especial. Um cara que passou por aqui causando rebuliço, sem igual.

    Prepare o queijinho de tira-gosto, a cerveja gelada, a TV ligada no futebol, Seu Júlio vai querer jogar sinuca com os anjos, contar piada para os santos, ruborizar Nossa Senhora, lembrar de histórias daqui e histórias que irá viver aí. Aos montes, como sempre.

    Agradeça a ele tudo que me ensinou, de bom e de ruim. A vida não é fácil, para ninguém, mas no Seu Colo tudo se torna mais tranquilo, mais amoroso, mais vivo, não é mesmo?

    E, hoje, é sua missa de sétimo dia. Quem haveria de pensar que, aquele homem cheio de vida, partiria... E lá se foram sete dias sem ele, mas eu sinto, mesmo tão longe, que sua energia parece fluir melhor, mais calma, mais leve, mais espiritualizada. Se isso tudo for verdadeiro, nossa, que bom!  Que divino!

    Que Nosso Senhor lhe traga os benefícios que plantou, e esqueça a erva daninha, que todos nós semeamos até mesmo sem saber. Ele merece ter apoio espiritual, acolhimento, paz e discernimento para continuar sendo essa explosão de vida, mas uma explosão ainda mais preenchida de rosas, perfumes, canções, prazeres, amor.

    Ame sua nova vida, e aproveite o que dela vier, Seu Júlio. Torço por você, hoje e sempre. E espero, assim como todos nós da sua família tão numerosa, que um dia o céu lhe acolha e, de lá, comece a cantar, e nós, daqui, a aplaudir. O show não pode acabar.

     

     



    Escrito por Eloy de Mello Nunes às 01h20
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    Meu Pai, por Eloy Nunes

    Hoje, neste mês de julho de 2011, meu pai sai de cena. Deixa o palco da vida.
    Meu pai, que, na verdade, é nosso. De cinco filhos, cinco irmãos. Uma esposa, uma canção.
    A temporada do show termina, mas prossegue em algum lugar. O público queria mais, afinal, o artista é talentoso, garboso, exuberante, fascinou a quem assistiu. Deixa gostinho de “quero mais”, mas o contrato já veio assinado e o tempo, cronometrado.
    Até no hospital causou rebuliço, situação embaraçosa, gente emocionada. Parte deixando saudade, e a certeza de sucesso cumprido.
    Fica na memória de sua gente, que não passou indiferente a tudo que ele foi. Advogado, cantor, amigo falante, jogador de sinuca, bebedor de cerveja, adorava anedota, feita na hora, improvisava a vida, como ninguém. Falava e escrevia bonito, mas, no auge do belo, escondia a tristeza e chorava escondido.
    Tantas histórias boas de contar, dele, hão de sobrar. Motivo de festa e confusão, como raras vezes se viu, Seu Júlio sabia causar comoção. Entrava no palco e dominava a cena, até no silêncio, sabia brilhar.
    A TV sempre estará ligada, a Bíblia revirada, o livro espírita também. A cerveja gelada aberta, o queijo tira-gosto ao lado, e, do outro, o mamão do passarinho. Aberta estará a janela, com vista da Praça Batista Campos e o ar renovando, reinando. O Sagrado Coração de Jesus no alto, o futebol na telinha e nosso coração, bradando: Vence a partida, Seu Júlio, merecidamente, seu time há de ganhar.
    E nós vamos festejar um dia, no bar que você preferir, felizes de que, em vida, muita vida deixou e, se morre, é só para fazer um gol. O mais bonito de todos, no auge do talento de um artista, que prefere dormir, para sonhar com seu show.
    Fecha a cortina, desliga-se o holofote.
    O público se vai, mas fica na memória de cinco irmãos que teve e outros cinco que fez, o mundo de presepadas inteligentes e emocionantes somente suas, desse grande freguês.
    Que nunca sairá da vida da gente, do lado de sua esposa, paixão inquestionável de uma vida inteira, e que, agora, distantes, ganham cada um, um rumo diferente, mas é só para dizer, que, aconteça o que acontecer, o amor sempre há de vencer.
    Vai com Deus, grande irmão, aqui é tudo ilusão. Agora, sim, o jogo começa, e não vai pregar uma peça e preferir ficar no banco. Ai, se Dona Solange descobre, será um Deus nos acuda, sem solução.
    Aproveita a alegria de estar em campo, recanto verde de futebol e paixão. Deixa em nós, saudade, e jovialidade ao viver. Vai com Deus, pai, e esteja com Ele, rindo à beça, só não O ensine a beber.



    Escrito por Eloy de Mello Nunes às 22h47
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    Johnny vai a Guerra outra vez, por Eloy Nunes

    Cheguei, virei a chave duas vezes, coloquei tranca na porta e me joguei no sofá. Ensaiei um choro sentido, duas lágrimas escorreram, mas galhofei da minha dramatização e ri. Não consigo sofrer sozinho, definitivamente. Preciso de um interlocutor, um outro que até mesmo duvide das minhas queixas, e de um sofazão de três lugares, assim me esparramo de verdade, por que ter crise existencial na própria cama é um erro sanado só com pílulas daquelas de tarja preta, e mais culpa. Já nasci sentenciado, sabe. Tenho até liberdade provisória, para trabalho semi escravo, mas volto sempre para trás das grades sob meu próprio julgo. Acho que Deus seria mais clemente. As chibatadas são o sono que não vem, apesar do meu cansaço de alma, que boceja preguiça e não desliga nem em curto. Circuito bom esse. Funciona até não funcionando direito. Esquerdo, direito. “Marcha, soldado, cabeça de papel, se não marchar direito...” . Somos generais sem farda, sem pelotão, sem causa, sem vitórias, mas chega. Nunca recebi treinamento de guerra, aprendi na raça e ameaço desabar aqui dentro, para não detonar uma bomba atômica. Sabia que aquelas aulas de química pouco serviriam. Vou me mudar para Porto Príncipe, Bogotá, Bagdá, para o Morro do Alemão, aprender a sobreviver na inspiração. Pode ser quem nem volte ou nem vá, alguém me chame antes. Oba, três chamadas não atendidas no celular: me recrutaram. De volta ao “front, man”! Johnny, você é simplesmente um luxo!



    Escrito por Eloy de Mello Nunes às 22h43
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    Peru(a) de Natal, por Eloy Nunes

    Ela desce do Porsche azul, com sua capa impecável Dolce & Gabbana. Garoa na Oscar Freira, mas os 30ºC não cedem, nem ela, que busca a última comprinha de natal. Afinal, o cartão platinado já está atolado e chega de esbanjar no Brasil. Acha que, desta vez, precisa de um nécessaire, um porta-treco, uma bobagem que lhe preencha a alma nesta tarde congestionada. A vendedora ruiva, sempre solícita, está atendendo duas outras mulheres mal vestidas, que precisam mesmo do vestido da vitrine, mas será que tem número tão grande? Desiste dessa loja e atravessa a rua atrás de algo novo de uma grife espanhola, que anuncia promoção. Mas promoção é sinônimo de pouca variedade e coisas ultrapassadas, nem em Paris vale o esforço. Imagina que poderia estar sentada agora no lobby do Plaza Athénée, mas já fez isso no fim do ano passado ou foi do outro? Ih, perdeu o cabelereiro, mas a escova resiste sob o capuz e mantém o passo firme pelos Jardins, saldada por uma ou outra conhecida do Harmonia, que lhe acena de longe. Recém-separada, é assim, ocorre com todas, ainda mais pelo escândalo de ter sido traída pela empregada. Imagina, aquela garota, atarracada e grávida. De sete meses. Uma ofensa que os carinhos do motorista corpulento não conseguiram aplacar. Também pudera, né? O barraco desabou em pleno salão de carteado do clube. Só não saiu no Estadão do dia seguinte, por que o colunista é seu primo. Foi puxada de cabelo, unhada, disse-que-disse, garçom apartando, ofensas para lá, para cá. E até hoje reverbera o insulto maior: “Você é frígida!”. Pena que o vizinho do Guarujá não estava lá para lhe defender a dignidade de mulher fogosa que é, dona de invejáveis pernas torneadas, que agora molejam pela Haddock Lobo. Na dúvida se entra na Versace, um moleque lhe pede trocado, mas ela só anda com notas de 100, e vira o rosto. O menino insiste, será assalto? Ele fita os olhos azuis dela, e solta um “gostosa”, apalpando-lhe as coxas com tamanha volúpia, que lhe provoca vertigem e frio na espinha, entumecendo os mamilos. O garoto foge, ela tenta segui-lo, apesar do salto exagerado, gritando um palavrão reencaixado num “feliz natal”, que soa alto e tão libertador, que as gargalhadas surgem intermináveis... O presente deste ano veio mais cedo.



    Escrito por Eloy de Mello Nunes às 22h41
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    O Telefone, por Eloy Nunes

    O telefone com centenas de recursos, e eu só pedindo que ele toque. Toca, desgraçado. Não toca. E eu não me toco de que isso só pode ser um toque. Ou o simples fato de que eu quero receber a ligação, mas a pessoa que eu quero que ligue não quer ligar. Não quer. E o telefone continua mudo. É, não quer ligar. Se liga, idiota. Será que o telefone está fora de área? Será que a bateria acabou? Será que existe um congestionamento aqui na região? É, por que é tanta gente com telefone inteligente que a rede se tornou burra. Burro como eu, sabe, esperando uma ligação que não vem. Tocou, tocou!
    Oi, quem? É engano.
    Puta merda, por que sempre quando a gente espera uma ligação é a porra do engano! Vá se enganar na hora errada assim na casa do inferno. Esse celular maldito, eu vou desligar, daí não vou saber que ligou nem vou ter tido a ansiedade doentia de atender ou não. É, por que está demorando tanto para ligar que quem já não quer mais atender sou eu. Chega de ficar esperando, esperando, e nada. Nem uma mensagem. Uma maldita de uma mensagem, gente, me diz, é pedir demais? Quanto custa uma mensagem no plano que for? Posso garantir que não passa de um real. Um real, gente. O que se compra com um real? Nem mendigo aceita mais um real. Apesar do nome real, de realeza um real não tem nada. É igualzinho a mim, que antes esnobava a mão de muita gente, e hoje depende da delicadeza de uma pessoa, uma desgraçada de uma pessoa que eu amo.
    É, por que essa odiosa sensação que está quase me matando é esse tal destrambelhado amor. Se eu soubesse antes que seria assim, juro, nunca aceitaria gostar de alguém. Gostar, se fosse gostar era bom, mas é amor. Amor. Quatro letras e um abecedário inteiro na minha cabeça. Um galo que formou aqui e está mudo. Não canta nem quando o sol surge. O sol surge, e esse galo se esconde. Acho que é galinha, pode ser, é galinha. Galo ou galinha vá para o inferno do galinheiro que explodiu! Agora está decidido, se ligar, eu não atendo!
    Pode até o papa João XIII ressuscitar que não tem cristão que me convença. Se isso que estou sentindo é amor, gente, eu prefiro morrer sem amor. De que serve amar assim, se isso pode até me matar a qualquer hora? É, por que eu sofro tanto de ansiedade com a porcaria dessa ligação que um dia esse sentimento do amor me mata. E olha que eu me engano fazendo qualquer outra coisa para preencher meu tempo. E nada, a ligação não vem. E agora quem vai sou eu, sem esse famigerado desse celular. Deixo aqui na rua.
    Sim, que levem, daí o assaltante atende ela, e ela vai achar que o cara me matou. É sempre bom causar uma sensação ainda pior, né? Morri, viu, gente? Morri, e, mesmo assim, sabe o que é pior? Não é perder meu I-Phone, mas saber que mesmo morto ainda sinto por essa piranha, galinha, anta e qualquer animal imbecil que surgir o mesmo sentimento de sempre, amor. Queria deixar o amor aqui na rua, como faço agora com o celular. Aí, sim, ninguém iria levar. Esse I-Phone está dando pau mesmo, e, esse amor, acho que aprendi a amar bem fraquinho por que o sinal que obtive foi nenhum. Pior que recepção da Oi em São Paulo. Oi, minha filha, liga logo para dizer um oi! Ah, vá tomar!
    E lá se foi o celular contra a parede, e, no ar, o aparelho finalmente toca. Ele corre para ver o nome que aparece. É o nome dela, mas desligam todas suas dezenas de pedaços. E sabe o que é ainda pior? O número dela só estava marcado na agenda do aparelho destroçado.



    Escrito por Eloy de Mello Nunes às 22h38
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    Noiva de Calça Jeans, por Eloy Nunes

     

    O ônibus sacoleja, e a bunda carnuda se ergue no ar, e cai ainda melhor, ajustando-se. Agora a banda esquerda não ficará mais amassada que a direita, e a moça tira parte da calcinha que teima em se acomodar cada vez mais no recôndito de sua carne. Ela insiste em usar aquela apertadinha, que cava bem nas suas ancas e ressalta o volume entre suas pernas. Eis uma mulher livre, sempre livre. Anda com calça apertada mesmo, atrás e na frente. Senta de perna aberta, nem ameaça fechar sob um olhar mais curioso. Mas só sai de calça, prefere suar, acredita? Manter aquela sensação incomoda de suor misturado com jeans recém-tirado da máquina, ainda úmido... Ela gosta. Ele também.
    Chega tira aquela calça com os dentes, e lambe as gotas de suor que escorrem por suas pernas, e se mistura nas dele, que já de cueca recebe-a, eletrizado, como sempre. Ali tem sintonia, ninguém duvida. Deixam de jantar, evitam sair. Os amigos reclamam, mas sabem que eles nasceram um para o outro.
    Aquela moça bunduda da Zona Norte de São Paulo só podia mesmo se apaixonar por esse cara de pernas grossas e olhar agressivo, que vira gatinho manhoso quando ela surge. Pelada, vestida, de luto, como for, ele a despe com os olhos, e ela se entrega na frente de todos, na imaginação de ambos, que só pensam naquilo. Pensam e fazem, diga-se. Fazem em média duas vezes por dia, às vezes três.
    Ela tem um fogo que surgiu com ele, e ele era virgem até então. Olha que engraçado, queria ser padre. E ela, bem, ela sempre foi meio beatinha, só meio porque aquelas calças apertadas já tinham até sido motivo de advertência do chapelão, e tinha dado para dois amigos, umas trepadinhas sem graça, que ele mandou correr quando surgiu na vida dela.
    Foi um encontro no meio da tarde. Uma tarde que não parecia especial, mas se tornou. Ele ficou de pau duro no caminho do seminário, chega saltou a cabeça rosada para fora da calça de algodão xadrez. Só de ver aquele material rebolando na rua. Carros, pressa, gente, e o quase padreco foi atrás daquele movimento encadeado, brejeiro e feliz da menina. Chega saltitava, nem percebendo que logo ali, estava alguém a espreita.
    Ele não se controlou e falou algo, não dizendo nada ao mesmo tempo, porque nunca tinha feito isso... Não estava em si. Ela, muito menos entendeu, mas quando viu aquele par de olhos mel fixos nos seus azuis. As cores se misturaram em meio ao cinza da avenida Paulista. Um motoqueiro veio ao chão, num acidente costumeiro, e todos foram lá; eles, não. Ainda estavam inertes, com olhos espelhados, já não se via azul ou mel, surgia uma cor nova, que nunca mais se apagou.
    E ela desce do busão. Atrasada. Ele a pega pelo braço, e diz que demorou e que estava quase para desistir. Mentira, ao vê-la, já estava sorrindo de novo. Viviam juntos fazia sete anos, sete dias, e já eram oito horas. Puxa, ela se atrasou em uma hora. O ritual no cartório perdeu um pouco do charme, mas selaram ali, em alianças e beijo, o que todos já testemunharam, nasceram um para o outro. Deram sete pulinhos de mãos dadas, da porta pra rua, e selaram outro beijo triunfal. Ah, a calça era branca.



    Escrito por Eloy de Mello Nunes às 22h33
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    Eu e meu Burrinho Esperto, por Eloy Nunes

    Olá, meu nome é Luizinho, eu tenho oito anos.
    Moro nessa fazenda, que pertenceu aos pais do meu pai.
    Ele cria porcos e galinhas, minha mãe ajuda, e eu também.
    Aqui é calmo, mas também é animado, não pense que tenho uma vida sem graça.
    Tenho aula todos os dias de manhã, e volto para almoçar em casa.
    Depois é só diversão.
    Sozinho, é verdade, mas eu me divirto!
    Tem um lago lindo na fazenda, aonde vou todas os finais de tarde.
    Vai eu e o meu burro Tadeu,
    Meu melhor amigo.

    Pode rir, eu deixo. É sempre assim.
    É só dizer que meu melhor amigo é um burro,
    Que todos caçoam!
    Meu burro não fala, mas pensa, posso garantir.
    Tadeu entende tudo que se passa comigo.
    Tanto que, no lombo dele, aproveito para contar como foi meu dia na escola.
    Falo tudo, até minhas coisas mais íntimas, meus medos, meus sonhos, o que espero da minha vida.
    Ele escuta bem, é um bom ouvinte, rs.

    As pessoas costumam não dar valor a minha amizade com o Tadeu, e, por isso, quero convidar você para conhecer meu melhor amigo.
    Acho que você vai saber respeitar a nossa relação e vai querer ser nosso amigo também.
    Tadeu adora conhecer pessoas novas, eu também.
    Ele é simpático, paciente e engraçado.
    Eu rio muito com ele, você também vai rir. Tenho certeza.
    É um burro, mas um burrinho muito esperto!

    Vire-se para o lado!

    Aquela tarde ensolarada me fez perder o horário, e já começava a anoitecer.
    Tinha de voltar para casa!
    É perigoso, minha mãe me disse.
    E eu mesmo tenho medo de andar à noite na fazenda.
    A gente olha para frente e não vê nada, só umas sombras assustadoras entre as árvores. Nem quero pensar besteira, até porque ainda não escureceu.
    Para chegar em casa era só atravessar aquele morro e já veria nossa casa, mas quem disse que o Tadeu queria colaborar.
    Puxa, Tadeu, justo agora você decidiu empacar no meio do caminho?
    Eu empurrei ele para frente, para os lados, até para trás. E nada.
    O Tadeu parou, e não havia jeito de fazer aquele burro andar!
    Me deu vontade de chorar. Tentei explicar para ele que minha mãe iria dar uma bronca imensa, e até mesmo proibir a gente de andar tão longe. De nada adiantou. Que bicho mais teimoso!
    Sentei na beira da estrada de terra e fiquei vendo o céu ganhar cores de crepúsculo, rs, é assim que minha mãe disse que se chama aquela cena linda que acontece no final de tarde. Aquela explosão de cores!
    Nem me dei conta que o Tadeu parou ao meu lado e ficou admirando junto.
    Sei lá, nunca tinha me dado conta da beleza daquele momento, e acho que Tadeu também não. Tanto que ele parecia emocionado.
    Abracei meu amigo, e ele pareceu agradecer.
    Passou a língua na minha orelha, rs, ele é muito carinhoso mesmo, mas teimoso!
    Por que, Tadeu, você decidiu parar aqui no meio do nada?
    Ele não respondeu nem me olhou, estava ainda contemplando a vista.
    E o céu escureceu, rapidamente.
    Daí em diante, parece até que o safado tinha pegado um choque. Saiu desembestado para casa, e chegamos em dez minutos, um trajeto que duraria meia hora.
    Enquanto, eu amarrava o Tadeu no estábulo, eu me dei conta de que ele queria, na verdade, que eu visse aquele espetáculo!
    Puxa, amigo, muito obrigado! Eu disse para ele, e fui dormir com a sensação de que algo mudou ali naquela tarde.
    Minha mãe já estava chamando meu nome para comer a janta.
    E não conseguia esquecer aquele festival de cores, que preencheu meus sonhos naquela noite.

    Vire-se para dentro!

    O Tadeu estava irradiante, nitidamente feliz.
    Eu sentia isso no trote dele, é, ele trotava como um cavalo dos bons!
    Apesar de empacar, às vezes, sem motivo, sem razão.
    As razões, realmente nunca soube dizer, mas Tadeu demonstrava sua felicidade a cada pisada no solo seco da estrada que nos levava para a cidade.
    Andava, garbosamente... Sentia que aquela tarde prometia!
    Também já fizera o mesmo trajeto inúmeras vezes, e com o mesmo objetivo.
    Chegava na igreja, e, pronto, todos cercavam meu burrinho e já o conduziam para a celebração do Natal.
    Naqueles instantes que carregava Maria no lombo, na verdade, a filha do padeiro, também Maria, o Tadeu era impecável.
    O José, o filho do barbeiro, Toninho puxava ele por vários metros, parava, voltava a andar... E o Tadeu, quem diria, deixava-se conduzir com perfeição.
    Era um artista, eu na platéia, só conferindo sua encenação.
    Terminava o show, todos iam embora e eu oferecia como um gesto de agradecimento uma boa quantidade de alfafa para meu amigo.
    Ninguém dá muito valor aos burros, uma burrice isso.
    Ele não tem o porte de um cavalo de corrida nem a beleza daqueles cavalos imensos árabes, muitos menos força ou talentos, mas há algo no Tadeu que me chama atenção, desde o primeiro momento que eu o vi.
    Foi algo mágico que surgiu entre a gente.
    No olhar dele, eu me vi refletido, na sua dignidade silenciosa eu me ouvi.
    Considero meu burrinho tão importante ou mais que o cavalo mais nobre!
    Até tenho na fazenda dois cavalos, mas é o Tadeu meu maior companheiro.
    A gente se dá bem. Acho que ele muitas vezes faz coisas que me envergonho e até não gosto, mas outras vezes eu também devo fazer coisas que ele não suporta... Uma delas é empurrar, quando ele decide empacar. Acho que não deve gostar, já que não sai do lugar! rs
    Mas, afinal, o que será que o faz empacar?
    Já perguntei para ele, mas nenhuma relinchada como resposta.
    É algo só dele, e, daí, eu aprendi a respeitar.
    Também tenho meus segredos, coisas que evito falar...
    Pra que falar de algo que não precisa falar? É melhor deixar a vida seguir, e ficar apreciando, como ele faz!
    Puxa, esse meu burro é esperto mesmo!



    Escrito por Eloy de Mello Nunes às 22h31
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    É Plural no Singular, por Eloy Nunes

    São Paulo é incomparável, mas vou tentar decifrar. É um alucinamento de cruzamentos, elevados e reentrâncias . Carrinhos que circulam aos milhões, crianças no volante para buzinar, acelerar e assustar. Faixa de pedestres, ninguém respeita, nem os próprios. É um mar bravio de prédios que emergem, navios ancorados com seus passageiros avistando o longe, longe que às vezes é do alto a rua. Na rua, mãos ao alto. Quem dera fosse para pegar uma fruta na árvore. Imperioso rompante do verde no cinza, quando há. Criadouro de cupins, minhocas, besouros e pássaros gigantes que animam o céu e a terra. Fluxo contínuo de vida levada para cá, para lá. São Paulo é destino constante de quem fica, de quem vai embora, e da maioria que permanece circulando, circulando. É passado repassado em branco abstrato, de técnica mista. É terra de ninguém que até mesmo os paulistanos se perdem. É sabor para todo gosto. É esconderijo de quem quer se achar e, nem nos achados e perdidos, haverá de estar. É plural no singular, São Paulo.



    Escrito por Eloy de Mello Nunes às 22h24
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