ELOY NUNES


Sol, lua, menino, por ELOY NUNES

O garotinho venceu as tábuas traiçoeiras do Trapiche do Laranjal, aos trôpegos. Sem pestanejar, sem corrimão, ninguém a vista.

Conquistou o ponto mais adentro da Lagoa dos Patos, e sentou, com os pés e olhos soltos... Um final de tarde atípico aquele.

Apesar do calor e das águas convidativas, os gaúchos sumiram. Só ele estava ali, conferindo o entardecer mais lindo que já surgiu!

 

O céu de azul limpo ganhou camadas sobrepostas de roxos, lilases, amarelos, brancos, e o sol, digno e firme, cedia espaços à lua cheia.

 

Um momento estava entregue ao astro-rei, noutro, queria pegar a lua, de tão próxima. Achava que era sua, sua nova peteca preferida!

 

Viu que não via as margens do outro lado da Lagoa, mesmo assim, a imensidão não lhe assustava, incentivava a imaginar!

 

O sonho da sua existência tão prematura estaria acolá, depois daquele mundão d’água... Ou aqui, como a lua, a luz da lua, o efeito da lua. E do sol.

 

Estava acompanhado da natureza, e escurecia... Qualquer criança ficaria apavorada, ele, não! Estava sob o luar.

 

Encontrava cumplicidade que só sentiu no seio da mãe, no colo do pai. Só com gente que um dia deixa de ser gente... Já a lua triunfará na despedida do sol, sempre. E vice-versa.

 

Os pés já não balançavam, olhos aquietados, adormecera numa noite tão acolhedora que até a eletricidade acabou na região, em respeito.

E a lua luziu o luar sobre o menino, que virou Luz na beirada do Trapiche. Virou celestial, como a lua, como o sol, como os sonhos de todo menino.



Escrito por Eloy Nunes às 23h04
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