 |
|
|
EU PRECISO DE VOCÊ! Por Eloy Nunes

Pronto, tá decidido! Eu não vou morrer!
Decidi, agora, tá feito. Faz muito tempo que penso nisso, e isso me causa um certo estresse... Estou conquistando tantas qualidades na vida, aprendi a matar meus medos, aliás, ainda tem um monte vivo, mas já consegui vitórias ousadas, e a vida vai embora assim...
Despede-se de mim num sono, num acidente, num susto? Não tá certo! Não acho justo! Definitivamente, eu não vou morrer!
Quero viver pra sempre. Se bem que pra sempre é muito tempo, mas nada definido e é sem ponto final, e isso me alegra! Gosto muito de escrever, colocar reticências, vírgulas, pontos seguidas, não curto finalizar meus pensamentos. O encerramento me incomoda. Prefiro divagar, seguir sem pausa, sem ruptura, sem final.
O final é triste, faz a gente chorar, um choro saudoso que cai em prantos constantes, numa lembrança trágica eterna. E eterna eu quero que seja minha vida! E não a tristeza de um dia não viver mais!
Porque eu tenho de morrer, afinal? Porque tenho de me despedir sem volta? Eu gosto de brigar e fazer as pazes! Preciso disso! E só vivendo, e muito, a gente consegue essa façanha! Eu ainda quero fazer as pazes com todos meus algozes, quero viver sem inimigos... Pra que me serve morrer sem inimigos? É melhor viver sem eles, é até melhor viver com eles!
É melhor viver, acima de tudo, embaixo também, VIVER! Hoje eu decidi isso, prefiro viver! E muito, e constantemente, e eternamente... Não sei ao certo quanto dura o eternamente, mas é uma palavra linda, não é? Então, é isso! Vou viver eternamente...
Saibam todos que decidi não morrer, e podem divulgar aos quatro cantos. Darei entrevistas, falarei à frente de bandidos, no destino de balas perdidas, em prédios que desabam, em tragédias sem saída, no exato momento em que o carro perde o rumo e encontra uma parede... Não será o fim, não o meu!
Eu decidi, e está feito. Agora, é trabalho para anjos da guarda, santos, entidades próximas, amigos, familiares, amores, porque eu quero viver... E que todos eles saibam disso! Assim me ajudam a viver mais, a viver ainda melhor, sempre, pra sempre.
Podem contar comigo em suas vidas, afinal, serei mais eterno que Drácula, que maldição de ex-mulher, que a Hebe na TV, que juros altos no Brasil, que o legado dos portugueses no nosso território... Ao final, se houver, eu seguirei sem interrupções... E, se você tiver coragem, venha atrás de mim, e, se preferir, tome a frente... Seguir você pode ser mais fácil, mais vivo!
Quero viver, eternamente, mas nunca sozinho, faça-me companhia, eu preciso de você! Eu só vivo com você! Por você! Pra você!
Escrito por Eloy Nunes às 14h01
[ ]
[ envie esta mensagem ]
[ link ]
|
DE NADA, por Eloy Nunes

Um telefonema. Do outro lado, um silêncio estarrecedor. Nem respiro.
Nem inspiro. Outro telefonema, agora, sim, gente de verdade. Converso.
Nem desconverso. Sou eu, mesmo, em silêncios e devaneios. Desligo.
Volto ao meu ser, sendo eu mesmo, só eu mesmo, em silêncio, enfim.
Ligo a TV, nada me inspira ou respira, deixo naquele som de final de programação...
E saio do ar, da sintonia, da programação que sempre tive idéia, mas nunca pude escalar, definir, publicar.
Sou um emissor de silêncios e palavras desconexas, sem indicações para os espectadores, sem audiência, sem anunciantes.
Minha TV pega bem lá em casa, e só lá em casa. Ou melhor, naquela tarde, nem lá em casa. Estava sem sintonia com o mundo. Comigo.
Fico horas assim, e ninguém se queixa; melhor assim, melhor pra mim!
A cobrança de alguém perpetua a cena, congela o ser, reprime a evolução!
E evoluo em espasmos pelo ar ao léu, sem véus, sem antenas captando, sem sintonia fina ou grossa, sem tecnologia. Volto ao mais primitivo de mim, e faço necessidades na sala, no chão, não me envergonho, não regulo. Tenho necessidades, muitas, mas não reconheço.
Estou livre de qualquer fato publicável, citável, tangível, estou sem estar aqui, estou mas sem questionar, simplesmente estou. E assim fico. E assim me mantenho, sem manter nada em comum com ninguém. Sou eu, simplesmente, simplesmente, sem outra referência, sem outro julgamento, sem dúvida.
O silêncio daquele telefonema ressurge, então, e daquele vácuo obtuso ouço murmúrios. Lamentos? Queixumes? Choros? Não sei. Não saberia. São barulhos, para mim, não mais decifráveis.
Estou fora do ar, fora de mim, fora do mais além... E lá não se mede Ibope! Nem mesmo eu, agora, sou obrigado a me assistir... E saio pelo ar, sem cobranças, sem purismos, sem impurismos, sem mim. E lá sigo eu, sim, eu, sem nada além de algo que fui, que sou? Eu sou aquilo lá que se esvai no ar? Então não sou mais nada, e assim encerro-me ali.
Acabo de passar dos meus limites e onde fui parar? Acabei comigo e, afinal, o que fui? E daquela despedida triunfal, alguém liga a TV, alguém me chama na secretária eletrônica... Quem é aquela pessoa na tela? Que nome é aquele mais estranho, Eloy, Eloy de que mesmo? Não volto mais ali, muito menos estou mais aqui, sou nada agora, agora em nada me resolvo... E, sabe, é bem melhor assim. Até agradeço a esse tal de Eloy. Vlw, cara!
Escrito por Eloy Nunes às 08h31
[ ]
[ envie esta mensagem ]
[ link ]
|
 |
| [ página principal ] [ ver mensagens anteriores ] |
|
 |


|
 |